* Por Flávio da Rocha Prevot
Por que tanta resistência dos Analistas ao 100-85? A desculpa é sempre de ordem técnica, o orçamento não comporta. Que orçamento? O orçamento mesmo ou um outro que só é limitado para nós? É muito ruim o que os próprios colegas fazem conosco.
Sabe o pior? Eles sabem que o pleito é o mínimo porque tangencia o justo.
A realidade do PJU justificaria até mais, mas por questões outras é melhor se apegar ao mínimo justo.
Repito: eles sabem!
Quando debocham da gente dizendo que argumento que invoca os princípios da justiça e da moralidade, por exemplo, não convencem a Administração em razão da realidade orçamentária, fico me perguntando como uma entidade sindical vai gritar sobre toda sorte de mazelas contra as quais precisa se insurgir se não usar argumentos da ordem dos valores éticos. Fechem os sindicatos, se esse é o argumento.
Estamos mortos se precisamos simplesmente agir como racionalistas do orçamento. Se é para ser assim, dispensem a política, dispensem os juízes, dispensem! Encham de dados um equipamento que contenha IA e deixe-o conduzir o município, o estado, a federação. Ele não precisará de salários, vai trabalhar 24 horas por dia e vai dar as soluções mais técnicas.
A política verdadeira serve para ponderar se o que é técnico pode se impor, num determinado momento, sobre o que é necessário. Se apenas os técnicos do orçamento decidem, retirem os políticos e magistrados de cena! A política não se submete ao tecnicismo de ocasião.
É um erro de raciocínio confundir o escopo desses dois caminhos.
Parte de nós se acha muito racional, mas é preciso entender que o excesso de razão é um vício, assim como o excesso de sentimento é sentimentalismo. São deturpações das nossas ferramentas humanas.
* Flávio da Rocha Prevot é Técnico Judiciário da Justiça Federal no Rio de Janeiro (JFRJ)
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