A recente proposta anunciada pela Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal (Fenajufe) e Sindjus/DF, que prevê um reajuste salarial de 26% parcelado entre 2026 e 2028, representa um grave retrocesso para os Técnicos Judiciários. A Anatecjus (Associação Nacional dos Técnicos do Judiciário) critica duramente o modelo linear que, longe de promover justiça, solidifica e aprofunda o abismo salarial que desestrutura a carreira no Judiciário Federal.
A Fenajufe chega a comemorar que sua "posição firme [...] e a mobilização da categoria [...] levou o STF a trabalhar na elaboração de uma proposta". Contudo, essa celebração soa vazia para a base dos técnicos. Em que pese a proposta da Fenajufe tenha sido o documento principal de discussão de carreira, ela falhou gravemente na redução das diferenças remuneratórias. A prova disso é que a proposta não foi sequer considerada pela Administração para o reajuste de 2026 e, pior ainda, foi ignorada no parcelamento que foi objeto de consulta do STF. Com isso, os Técnicos Judiciários, que representam mais de 50% da força de trabalho, continuam sendo ignorados em sua pauta de reivindicação principal.
Presente no 7º Encontro do Coletivo de Técnicos Judiciários (Contec) da Fenajufe, a Anatecjus tem alertado incessantemente que a mera aplicação de um índice linear sobre a estrutura salarial atual é uma medida paliativa que perpetua a desvalorização do cargo. As atribuições desses servidores tornaram-se cada vez mais complexas, sobrepondo-se na prática às dos analistas, sem qualquer contrapartida remuneratória ou reconhecimento formal.
Essa distorção é o tema central do dossiê em duas partes publicado pela Anatecjus. O primeiro documento, "Dados oficiais revelam a confusão de atribuições entre técnicos e analistas no Judiciário Federal", comprova de forma inequívoca a sobreposição de funções, expondo uma realidade onde técnicos executam tarefas de nível superior de forma rotineira.
O segundo dossiê, "Como o reajuste linear criou um abismo salarial e desvalorizou o cargo de técnico no Judiciário Federal", vai além e demonstra matematicamente o efeito nocivo de propostas como a que agora é apresentada. Ao aplicar um percentual igual sobre bases salariais desiguais, o abismo financeiro entre os cargos não apenas se mantém, como se expande drasticamente a cada reajuste. A política do reajuste linear é, portanto, uma ferramenta de desvalorização ativa do cargo de técnico.
Dessa forma, a Anatecjus se posiciona de maneira contrária à insistência em um único modelo de reajuste linear, sem qualquer ajuste sobre as assimetrias injustas denunciadas, o que se mostra prejudicial à isonomia da carreira. A associação reafirma que a luta da categoria não pode se limitar a índices que mascaram a desvalorização crônica dos técnicos. É imperativo e urgente que se inicie um debate sério sobre a reestruturação da carreira, que valorize as atribuições reais e a contribuição fundamental dos técnicos para um Judiciário mais justo e eficiente.
Leia aqui a notícia da Fenajufe: https://www.fenajufe.org.br/agencia-de-noticias/ultimas-noticias/sindicatos/recomposicao-salarial-indice-de-26-parcelado-em-2026-2027-e-2028-cobre-parte-das-perdas-acumuladas-nos-ultimos-anos/











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