PUBLICAÇÃO DA FOLHA DE S. PAULO NÃO DIFERENCIA SERVIDOR E MAGISTRADO EM REPORTAGEM SOBRE GASTOS COM FUNCIONALISMO DO JUDICIÁRIO

Publicação feita na edição deste domingo (09) no Jornal Folha de S. Paulo causou nova indignação da categoria ao não diferenciar servidores e magistrados na reportagem que trata sobre os gastos com o funcionalismo do Poder Judiciário.

A reportagem informa que os aumentos reais de 130,1% e 213,6% na remuneração mediana dos servidores dos judiciários federal e estadual ultrapassam muito o reajuste de 45,5% (também acima da inflação) da mediana dos rendimentos do conjunto do funcionalismo público brasileiro, considerando os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo e as três esferas de governo (União, estados e municípios).

No entanto, o que não fica explícito é que esses percentuais se referem a reajustes concedidos para a magistratura que, além da recomposição salarial, obteve outros adicionais e penduricalhos ao longo de todo o ano de 2024.

Em defesa dos servidores, o cientista político Rafael Viegas destaca a importância de se evitar que as críticas aos privilégios de magistrados recaiam sobre servidores, “cuja situação é marcada por desafios estruturais e institucionais que não devem ser confundidos com os benefícios exclusivos de seus superiores hierárquicos, os magistrados”.

Viegas ainda chama a atenção para a disparidade em relação à realidade enfrentada pelos servidores do Judiciário. “Enquanto magistrados recebem salários elevados, imorais, inconstitucionais, complementados por penduricalhos que frequentemente superam o teto constitucional, servidores (técnicos, analistas, assessores, oficiais etc.), que desempenham funções essenciais para o funcionamento cotidiano do Judiciário, lidam com realidade de sobrecarga de trabalho, falta de valorização profissional e condições inadequadas para o desempenho de suas funções”.

De acordo com ele, “servidores, ao contrário dos magistrados, não possuem as prerrogativas nem têm acesso aos benefícios que inflacionam a remuneração de seus superiores. Embora servidores sejam responsáveis por garantir o cumprimento de metas do CNJ, introduzir avanços tecnológicos e aplicar conhecimentos especializados que vão além do Direito (formação dos magistrados). Servidores, apesar de serem a base estrutural que sustenta o Judiciário, não possuem representação no CNJ, órgão que tem legitimado privilégios da magistratura”.

A ANATECJUS está integrada à mobilização nacional pela inclusão dos servidores no Orçamento da União e atua em defesa dos Técnicos do Judiciário Federal e MPU que seguem com as mesmas tarefas dos Analistas e remunerações que não condizem com a realidade das atribuições.

Neste sentido, os Técnicos são ainda mais prejudicados nesta injusta publicação da Folha de S. Paulo, cuja necessidade de esclarecimentos dos elevados ganhos da magistratura é urgente! A ANATECJUS exige a retratação do veículo de imprensa para que informações verídicas sejam disseminadas para a sociedade.

Da assessoria de imprensa, Caroline P. Colombo

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