A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) solicitou formalmente a abertura de processo disciplinar para investigar e punir trabalhadores do MPU. O pedido ocorre no exato momento em que a categoria se organiza para reivindicar a mesma recomposição das perdas inflacionárias proposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos servidores do Poder Judiciário da União (PJU), dada a histórica simetria entre as carreiras.
A ação da ANPR, registrada em ofício à Secretaria-Geral do MPU, busca silenciar as críticas legítimas dos servidores à aprovação de benefícios financeiros para procuradores, enquanto a categoria acumula perdas salariais. A associação alega que os materiais divulgados pelos servidores, que expõem a disparidade na distribuição orçamentária, contêm "conteúdo difamatório" e "afirmações falsas".
No entanto, o que a ANPR rotula como "falso" e "ofensivo", são fatos documentados e noticiados pela grande imprensa. Os servidores compararam a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que proibiu pagamentos retroativos no Judiciário, com a do Vice-Procurador-Geral da República, que, horas depois, autorizou uma licença compensatória retroativa a procuradores. A notícia, divulgada em veículos como CNN Brasil e Folha de São Paulo, estimava que os pagamentos poderiam superar R$ 1 milhão por membro.
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A perseguição se estende até mesmo à sátira. A ANPR considerou ofensivo um vídeo irônico intitulado "Simulador de Penduricalhos MPF", que de forma bem humorada simula a criação de auxílios inexistentes. A reação desproporcional da ANPR demonstra que o objetivo não é defender a imagem da instituição, mas sim proibir qualquer forma de crítica e desarticular a campanha salarial dos servidores.
Esse ato de censura tenta abafar o movimento "SIMETRIA JÁ" organizado pelos servidores do MPU contra a alegada falta de orçamento, mantendo aos 15.000 servidores do órgão uma defasagem remuneratória de 30% acumulada entre 2019 e 2025.
Em defesa da liberdade de expressão dos servidores, a ANATECJUS se opõe a qualquer medida que vise criminalizar ou punir opiniões, mesmo que mais ácidas, mas sem qualquer prejuízo comprovado à instituição, razão pela qual acreditamos que a reclamação não prosperará, tendo limitado os seus efeitos à tentativa de intimidação.
A ANATECJUS repudia veementemente o que considera uma tática de assédio moral institucional. A utilização da máquina administrativa para perseguir trabalhadores que lutam por seus direitos é um atentado direto à liberdade de expressão e ao direito de reivindicação. Longe de silenciar a categoria, a manobra da ANPR tende a provocar o efeito contrário, jogando mais luz sobre o problema e gerando repercussão na imprensa nacional.
A nossa Associação reafirma seu total apoio aos servidores afetados e acredita que o único caminho para superar este impasse é o do diálogo construtivo e do respeito mútuo entre as carreiras. Conclamamos as partes à sensatez, na busca por uma solução que preserve a harmonia e valorize todos os profissionais envolvidos.











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